sábado, 17 de novembro de 2012

COMER: É UMA FELICIDADE...




Passeando pela net, encontrei esse texto de Ruben Alves (apenas o grifo é meu). Selecionei apenas o que me interessa, como sempre, e aqui, me lembrei de pessoas com as quais amo comer!!!! Aliás, tenho um post sobre A Festa de Babete, um dos filmes mais deliciosos que já vi!

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"Meus pensamentos começam a teologar. Penso que Deus deve ter sido um artista brincalhão para inventar coisas tão incríveis para se comer. Penso mais: que ele foi gracioso. Deu-nos as coisas incompletas, cruas. Deixou-nos o prazer de inventar a culinária.

Comer é uma felicidade, se se tem fome. Todo mundo sabe disto. Até os ignorantes nenezinhos. Mas poucos são os que se dão conta de que felicidade maior que comer é cozinhar. Faz uns anos comecei a convidar alguns amigos para cozinharmos juntos, uma vez por semana. Eles chegavam lá pelas seis horas (acontecia na casa antiga onde hoje está o restaurante Dali). Cada noite um era o mestre cuca, escolhia o prato e dava as ordens. Os outros obedeciam alegremente. E aí começávamos a fazer as coisas comuns preliminares a cozinhar e comer: lavar, descascar, cortar — enquanto íamos ouvindo música, conversando, rindo, beliscando e bebericando. A comida ficava pronta lá pelas 11 da noite.

Ninguém tinha pressa. Não é por acaso que a palavra comer tenha sentido duplo. O prazer de comer, mesmo, não é muito demorado. Pode até ser muito rápido, como no McDonald's. O que é demorado são os prazeres preliminares, arrastados — quanto mais demora maior é a fome, maior a alegria no gozo final. Bom seria se cozinha e sala de comer fossem integradas — os arquitetos que cuidem disso — para que os que vão comer pudessem participar também dos prazeres do cozinhar. Sábios são os japoneses que descobriram um jeito de pôr a cozinha em cima da mesa onde se come, de modo que cozinhar e comer ficam sendo uma mesma coisa. Pois é precisamente isto que é o sukiyaki, que fica mais gostoso se se usa kimono de samurai.

Quem pensa que a comida só faz matar a fome está redondamente enganado. Comer é muito perigoso. Porque quem cozinha é parente próximo das bruxas e dos magos. Cozinhar é feitiçaria, alquimia. E comer é ser enfeitiçado. Sabia disso Babette, artista que conhecia os segredos de produzir alegria pela comida. Ela sabia que, depois de comer, as pessoas não permanecem as mesmas. Coisas mágicas acontecem. E desconfiavam disso os endurecidos moradores daquela aldeola, que tinham medo de comer do banquete que Babette lhes preparara. Achavam que ela era uma bruxa e que o banquete era um ritual de feitiçaria. No que eles estavam certos. Que era feitiçaria, era mesmo. Só que não do tipo que eles imaginavam. Achavam que Babette iria por suas almas a perder. Não iriam para o céu. De fato, a feitiçaria aconteceu: sopa de tartaruga, cailles au sarcophage, vinhos maravilhosos, o prazer amaciando os sentimentos e pensamentos, as durezas e rugas do corpo sendo alisadas pelo paladar, as máscaras caindo, os rostos endurecidos ficando bonitos pelo riso, in vino veritas... Está tudo no filme A Festa de Babette. Terminado o banquete, já na rua, eles se dão as mãos numa grande roda e cantam como crianças... Perceberam, de repente, que o céu não se encontra depois que se morre. Ele acontece em raros momentos de magia e encantamento, quando a máscara-armadura que cobre o nosso rosto cai e nos tornamos crianças de novo. Bom seria se a magia da Festa de Babette pudesse ser repetida..."


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Angela R.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

FILME: Bruna surfistinha....

Há tempo queria ver.... fiquei realmente muito tocada pelo filme! é constrangedor a forma como o diretor consegue nos despir de qualquer preconceito, pois o que prevalesce no filme é, muito mais a complexidade do ser humano que a simplicidade do sexo!! Adorei o filme, recomendo sem nenhuma restrição. A atuação da Débora Seco foi impecável e a trilha sonora é linda.
Angela R. 


terça-feira, 4 de setembro de 2012

PAUSA PARA LEITURAS OBRIGATÓRIAS...

Lendo Sobre A Modernidade de Baudelaire....
O Império do Efêmero de Lipovestki...
O Espírito das roupas  de Gilda de Melo e Souza...

Orientar trabalhos acadêmicos do curso de graduação em Moda, me obriga a ler muito mais! depois comento os livros com mais calma, mas alguma coisa já pode ser dita:

Com Baudelaire tem-se uma idéia interessante da dualidade eterno e contingente na obra de arte...

Em o Império do Efêmero percebe-se o quanto a superficialidade ainda impera nas discussões referentes ao fenômeno Moda analisado apenas como símbolo de insígnia social.....já foi assim, ainda é, mas nào se reduz a isso!!

Gilda de Souza e Melo, faz um trabalho que beira a poesia! é lindo, informativo e sobretudo esclarecedor das interfaces da moda com a arte e com a sociologia por exemplo. Aliás a artista defende a tese - da qual nào compactuo -  de que Moda é Arte!

Angela R.

sábado, 25 de agosto de 2012

MÚSICA: Old Ladies DE DUAL TAPE


Quando gosto, ouço muito e  por muito tempo...  

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

AMIGOS QUERIDOS: ROSE RADO....

.... saudades intelectuais de você!
Angela R.

INDICAÇAO DE LEITURA: KAFKA...

Li três contos de Franz Kafka (1883-1924) :A metamorfose, Um artista da fome e Carta ao Pai.

A quem recomendaria? Ãqueles que já estão suficientemente amadurecidos pelo tempo,  ou,  àqueles que já se sentem à vontade para ler os clássicos da literatura universal entendendo o porque dessa categorização. Penso que a leveza da juventude pode precarizar o peso kafkiano da mudança, da carência e da insubmissão!
O que me tocou mais profundamente em  A metamorfose foi justamente o quanto a aceitação do outro é condição cine qua non para uma existência minimamente saudável, a indiferença metamorfoseia até a morte...... já em Um artista da Fome, Kafka se refere ao quanto  o olhar do outro é necessário para a sobrevivência da alma e quiça do corpo, a existência não prescinde da  alteridade... Cartas ao Pai é repleta de verdades cruas....
O surrealismo kafkiano não é fácil de ser digerido mas parece ter sido escrito agora! Eu recomendo!!
Angela R.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

FILME: A JOVEM RAINHA VITÓRIA...

Excelente filme!


Apesar de aludir apenas implicitamente ao legado político da rainha, o filme explora lindamente seu lado mais humano. Em A Jovem Rainha Vitória, Scorsese (produtor) faz bastante bem, aquilo que sabe fazer: explorar o quão dificil é  conciliar aspectos contraditórios da natureza humana, ainda mais em se tratando da natureza de uma mulher! Além de suscitar reflexões interessantes neste aspecto, o figurino é uma aula para os interessados em história da moda.
Um outro aspecto interessante,  é muito fácil chorar ao término do filme, pois sua tônica recai no ideal do amor romântico.
Eu recomendo!!

 


Angela R.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

FILME: JANE AYRE...

Primeira metade do século XIX...

 Jane Ayre (adaptação do romance homônimo da inglesa  Charlotte Bronte) não é contemporânea das principais personagens de Jane Austen, mas é quase tão apaixonante.
 Nào li o livro e certamente não lerei,  o  filme é bom, mas, devo confessar que prefiro a leveza e a ironia de Austen ao peso dramático de Bronte.
 Devo confessar ainda que passei uma tarde vendo o filme, pensando sobre e depois vendo os extras. Do todo, o que mais gosto: as locações, a trilha sonora, a participação de Judi Dench e, claro, os preciosismos assumidos pelo diretor Cary Fukunaga.
Recomendo o filme e também os extras!
Angela R.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

FILME: A PELE QUE HABITO....

Sou rodeada de pessoas que amam Almodovar, nunca foi o meu caso.

Depois de muitas indicações e de certezas de que eu gostaria, assisti A pele que habito. É de tirar o fôlego! São tantas alegorias, tantas alusões diretas à uma variedade de temas muitas vezes apenas indiretamente aludidos que, confusa,  só me resta indicar e categorizar o filme como imperdível.

 Talvez o fato de estar terminando de ler Carta ao Pai de Kafka, e por estar de férias, precise de muito mais ócio, para escrever algo que valha!
Angela R.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

FILME: MODIGLIANI ... EXPOSIÇÃO NO MASP


predileções intimamente pessoais!

VEJA AQUI:   http://www.youtube.com/watch?v=0Gx74J64eLg&feature=related


 AQUI TAMBÉM: http://www.youtube.com/watch?v=Cr7Sa2t2tQg&feature=related

AQUI TAMBÉM:  http://www.youtube.com/watch?v=GSiVuYDh96Q&feature=related





penso que esses fragmentos já são sedutores o suficiente!
Até o dia 15 de julho  vários desenhos, rascunhos, telas e esculturas de MOdigliani  podem ser vistos no MASP.  Eu vi e claro, me tocaram bastante.

Angela. R.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

INDICAÇÃO DE LEITURA: Mrs. Dalloway de VIRGINIA WOOLF...


Comecei a ler e logo no início me questionei sobre o que garante a um autor um lugar entre os  clássicos universais....  na metade do livro, pensei que nào a teria na minha estante .... mas, durante a festa de  Clarissa Dalloway, tive que me render! na última página, retornei a primeira, completamente rendida!

Seria dificil escrever sobre Virginia Woolf  tendo lido apenas um livro, mas me parece ainda mais dificil escrever sobre o livro lido.

A ausência de linearidade e a descrição abusiva da fragilidade dos personagens naquilo que eles têm de mais humano são perturbadores. Woolf não faz alusão a nenhuma questão existencial e filosófica profunda e talvez exatamente por isso nos atinge tão profundamente. 

Sua literatura parece requerer tempo ainda que em  Mrs. Dalloway  Woolf se limite a um ÚNICO dia, bem marcado pelas batidas do Big Ben, o que pode sugerir a complexidade de nossa relação com tempo, sobretudo com o passado e com o agora.... o futuro obviamente não lhe interessaria.....

Angela R.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

MUSICA- VIAJANDO COM CHICO BUARQUE!

Chico Buarque pode ser uma companhia de viagem das melhores... hã muito nâo ouvia!! Dele, gosto de muita coisa, especialmente da forma como intui a mulher...  hoje me reporto a duas musicas que me sâo muito especiais e que a meu ver, servem de parämetro para se aferir nosso grau de sensibilidade .

VALSINHA
Um dia ele chegou tão diferente do seu jeito de sempre chegar
Olhou-a de um jeito muito mais quente do que sempre costumava olhar
E não maldisse a vida tanto quanto era seu jeito de sempre falar
E nem deixou-a só num canto, pra seu grande espanto, convidou-a pra rodar
E então ela se fez bonita como há muito tempo não queria ousar
Com seu vestido decotado cheirando a guardado de tanto esperar
Depois os dois deram-se os braços como há muito tempo não se usava dar
E cheios de ternura e graça, foram para a praça e começaram a se abraçar
E ali dançaram tanta dança que a vizinhança toda despertou
E foi tanta felicidade que toda cidade se iluminou
E foram tantos beijos loucos, tantos gritos roucos como não se ouvia mais
Que o mundo compreendeu, e o dia amanheceu em paz


 PEDAÇO DE MIM,

Oh, pedaço de mim
Oh, metade afastada de mim
Leva o teu olhar
Que a saudade é o pior tormento
É pior do que o esquecimento
É pior do que se entrevar
Oh, pedaço de mim
Oh, metade exilada de mim
Leva os teus sinais
Que a saudade dói como um barco
Que aos poucos descreve um arco
E evita atracar no cais
Oh, pedaço de mim
Oh, metade arrancada de mim
Leva o vulto teu
Que a saudade é o revés de um parto
A saudade é arrumar o quarto
Do filho que já morreu
Oh, pedaço de mim
Oh, metade amputada de mim
Leva o que há de ti
Que a saudade dói latejada
É assim como uma fisgada
No membro que já perdi
Oh, pedaço de mim
Oh, metade adorada de mim
Lava os olhos meus
Que a saudade é o pior castigo
E eu não quero levar comigo
A mortalha do amor
Adeus

Vale muito a pena ver aqui http://letras.terra.com.br/chico-buarque/45186/ e aqui tambem http://letras.terra.com.br/chico-buarque/86030/.

ANGELA R.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

INDICAÇÃO DE LEITURA: Memórias de uma gueixa...

A vida requer algum requinte, alguma fantasia, alegorias... taças para o vinho, flores no  banheiro, verbos bem conjugados, cama perfumada, mesa bem posta.... enfim, a lista poderia ser enorme e invariavelmente é subjetiva, muito subjetiva.....
Lendo AS MEMÓRIAS DE UMA GUEIXA me senti tomando vinho em copos sobrepostos em uma mesa bagunçada... 
Ganhei o livro de aniversário e comecei a ler tão compulsivamente que  mesmo na pressa fui me despindo de todas as ilusões que alimentava sobre a temática do livro. Não sei porque sempre associei o universo das gueixas com uma alta dose de requinte intelectual e material. Como seu preparo é superficial recaindo sobretudo em comportamentos estereotipados foi enorme minha decepção, nao com a fantasia do livro, mas com a falta de fantasia da realidade aprendida.

Há alguns anos, me perguntaram o que me apetecia mais, o conforto da ignorância ou o desconforto do conhecimento. Desde então sempre me lembro que o desconforto realmente é grande, mas nada melhor! Recomendo o livro, apesar de inumeras ressalvas que nao caberiam aqui.
Angela R.


quinta-feira, 12 de abril de 2012

INDICAÇAO DE LEITURA: Jane Austen, Persuasão .....

Terminei de ler outro livro de Jane Austen.
 Em PERSUASÃO, Austen nos faz pensar  via Anne Elliot e  Frederick Wentworth sobre  nossa vulnerabilidade. PARÊNTESES - Ninguém é totalmente isento de influencias que muitas vezes incidem sobre escolhas importantes... o bom seria ela reforçar também que tendo escolhido, nào como há como imputar a culpa em outros..... mas, como somos vulneráveis, claro que dividimos os erros.... os acertos nem sempre! FECHA PARÊNTESES-

 Este, foi o ultimo romance de Austen. Ela escreveu já doente e talvez por isso, a obra fica muito aquem dos outros que já li. De qualquer forma, o livro é uma delicia.
Angela R.

domingo, 11 de março de 2012

TRILHA SONORA: Urg Uverkill/Neil Diamond

http://www.youtube.com/watch?v=GxLR_VaWkMM&feature=related

ou

http://www.youtube.com/watch?v=R04qRuMV0Qc

ou ainda,

http://www.youtube.com/watch?v=RdnS0-Pwd-w&feature=related 

Angela R.

COMPORTAMENTO: desisti novamente

Tem coisas que requerem algo mais para serem feitas..... pela segunda vez tento mas  desisto de ler a DIVINA COMEDIA de Dante. 
Tentei há uns 10 anos atráz, nào consegui....!
Tentei agora novamente.
...queria saber porque Dante condenou Epicuro......

Angela. R.

quarta-feira, 7 de março de 2012

CINEMA/TENDÊNCIA: A invenção de Hugo Cabret...

O que está nas coincidências?
Tenho pensado muito sobre. Talvez às vesperas de aniversariar tenho me reportado ao que veio antes de agora.
Curioso como tenho pensado sobre tendências (ha algum tempo escrevi sobre http://www.fashionbubbles.com/comportamento/tendencia-na-pos-modernidade/ )...
 Penso que a racionalidade tal como se configura,  e materializada em quase tudo o que faz parte do cotidiano, cansa... nos poupa de vários esforços físicos e intelectuais claro, e isso é ótimo, mas cansa.... é um cansaço que parece atrelado ao esforço que o embotamento da sensibilidade requer.
Há  pouco mais de dez anos estudei exatamente sobre isso...na época não entendia direito a aprofundidade de Herbert  Marcuse mas hoje me dou conta de que algo da filosofia dele ecoava muito fortemente em mim....
 Muito aconteceu desde então, mas me vejo cotidianamente atentando para sinais de um aparente processo de ressignificação da vida....  talvez os milhares de adesivos de famílias nos carros - algo que me perturba e muito -  denuncie algo nesse sentido... tornar público o privado é uma necessidade desde que o mostrado seja carregado de memória afetiva....(preciso escrever sobre isso)  ...



Fui ver A invenção de Hugo Cabret.
Penso que o impacto do filme tem relação direta com a revalorização do que há de mais humano....dar vida a um autômato para que a vida volte a ter vida, me pareceu enigmático ...  a inocência de uma criança buscou na máquina o que a "máquina" tirou de um homem que havia se rendido a uma razão desencantada...
Gostei muito! O filme é sensibilidade pura. 

(A propósito, ainda não vi  O Artista, mas certamente o filme denuncia a também cansada sétima arte.)

  Razão, sensibilidade, perdas, resgates, desvalorização e ressignificaçao dentre muitos outros me parecem  construtores da dialética contemporânea.


ps. gosto de tudo de  Ben Kingsley e sua atuação neste filme  é linda!

Angela R.

TRILHA SONORA: John Farnham ...

Gosto muito....

http://www.youtube.com/watch?v=KxlE7yCSHAM

Angela R.

domingo, 4 de março de 2012

TRILHA SONORA: Marisa monte....

Todos temos, ao longo dos anos, uma trilha sonora que dramatiza,  romantiza, energiza, excita, enfim,  nos dá  intensidade....

essa música foi assim!! fez parte de muitas cenas......

http://www.youtube.com/watch?v=qYIH3jUa6oA

Angela R.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

INDICAÇAO: Jane Austen, Orgulho e preconceito (livro e filme)

Há tempo vi o filme.  Há pouco terminei de ler o livro.
Tenho lido Jane Austen ... Dentre os lidos,  Orgulho e Preconceito (1813) é meu preferido, assim como de milhares de ingleses.
 O que mais me fascina na autora é a arte de escrever pintando, nos mínimos detalhes, detalhes mínimos!
A tônica de Austen é sempre a mesma, a relaçao de UM HOMEM e de UMA MULHER na sociedade rural inglesa do século  XIX e todas as venturas e desventuras que a rigidez e a hipocrisia das normas da época impunham.
 Ainda que ela descreva o desencanto existencial de mulheres e homens numa sociedade totalmente verticalizada e preconceituosa, em Orgulho e Preconceito prevalecem os encantos de um casal que se deixa seduzir pelo verbo  conjugado - como o título da obra sugere -  sempre na forma imperativa...
Austen domina de tal forma a arte de contar, que descreve o amor de Fitzwillian Darcy e Eizabeth Bennet  prescindindo de qualquer alusão ao toque, é o estado psíquico dos  personagens que nos permite mensurar a intensidade do desejo.... o que isso causa ao leitor? não indicaria a leitura se não valesse muito!!

Vi novamente o filme (2005), e tirando a forma caricata com que Bingley é representado por Simon Woodsum, e considerando que a  a atuação de Keira Knightley como Elizabeth as vezes nào convence, pelo menos para quem lê o livro,  o filme é um arraso na figura de  Matthew Macfadyen que encarna  Fitzwillian Darcy.
A fotografia, a trilha sonora e as locações mereceriam um post menos parcial... gostei muito!!

veja o trailler aqui:
http://www.youtube.com/watch?v=Y6XneqkfD3c

Angela R.


quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

COMPORTAMENTO: calmaria ...

A s vezes o quotidiano nos põe à prova das formas mais capciosas. Quando acontece, certezas vêem à tona como um insight de uma idéia inata.

 Independentemente de inatismos ou empirismos o fato é que nada pior que termos nossa liberdade tolhida seja pela ignorância do percurso seja pelas convenções sociais. O perder a direção e a impossibilidade de concretizar o não quero, realmente é algo perturbador.


 "Cada pessoa é  “a medida de todas as coisas”, como disse nosso primeiro filósofo . Por isso, cada pessoa sente um beijo carinhoso, o aroma do café, o vento nos cabelos, a leitura de um poema ou a audição de uma linda balada de amor, a luz macia de um luar, cada pessoa vive cada coisa de um modo único, e é ela quem saberá o prazer ou o não prazer do que está vivendo, pois cabe a ela mensurar o que vive, somente a ela... mesmo que adote as mesmas medidas de mensuração de uma outra pessoa." (PACKTER, 2012).




rodeada de excessos, nada melhor que a calmaria do meu autismo!!
Angela R.