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quarta-feira, 7 de março de 2012

CINEMA/TENDÊNCIA: A invenção de Hugo Cabret...

O que está nas coincidências?
Tenho pensado muito sobre. Talvez às vesperas de aniversariar tenho me reportado ao que veio antes de agora.
Curioso como tenho pensado sobre tendências (ha algum tempo escrevi sobre http://www.fashionbubbles.com/comportamento/tendencia-na-pos-modernidade/ )...
 Penso que a racionalidade tal como se configura,  e materializada em quase tudo o que faz parte do cotidiano, cansa... nos poupa de vários esforços físicos e intelectuais claro, e isso é ótimo, mas cansa.... é um cansaço que parece atrelado ao esforço que o embotamento da sensibilidade requer.
Há  pouco mais de dez anos estudei exatamente sobre isso...na época não entendia direito a aprofundidade de Herbert  Marcuse mas hoje me dou conta de que algo da filosofia dele ecoava muito fortemente em mim....
 Muito aconteceu desde então, mas me vejo cotidianamente atentando para sinais de um aparente processo de ressignificação da vida....  talvez os milhares de adesivos de famílias nos carros - algo que me perturba e muito -  denuncie algo nesse sentido... tornar público o privado é uma necessidade desde que o mostrado seja carregado de memória afetiva....(preciso escrever sobre isso)  ...



Fui ver A invenção de Hugo Cabret.
Penso que o impacto do filme tem relação direta com a revalorização do que há de mais humano....dar vida a um autômato para que a vida volte a ter vida, me pareceu enigmático ...  a inocência de uma criança buscou na máquina o que a "máquina" tirou de um homem que havia se rendido a uma razão desencantada...
Gostei muito! O filme é sensibilidade pura. 

(A propósito, ainda não vi  O Artista, mas certamente o filme denuncia a também cansada sétima arte.)

  Razão, sensibilidade, perdas, resgates, desvalorização e ressignificaçao dentre muitos outros me parecem  construtores da dialética contemporânea.


ps. gosto de tudo de  Ben Kingsley e sua atuação neste filme  é linda!

Angela R.

quarta-feira, 18 de março de 2009

INDICAÇÃO DE LEITURA: meu artigo sobre tendência

Para quem gostou e sobretudo para aqueles que não compactuaram em nada com o que eu disse rapidamente sobre tendência aqui, recomendo meu mais novo artigo para o site http://www.fashionbubbles.com/ no qual ouso até um conceito autoral.

Ousadia ou provocação intelectual? nem eu sei direito, o fato é que acredito no que escrevo ao ponto de publicar e ainda recomendar a leitura... faço muitas afirmações, sempre tento ser provocativa.... a reflexão e a maturidade, sobretudo intelectual, penso eu, sempre nascem do estranhamento. É ele, que nos faz olhar de novo, esfregar os olhos, e prestar mais atenção... nem sempre resolve, mas as vezes vemos muito mais do que previamos. Tem sido assim ... tenho visto tantas, tantas coisas, que é escrevendo e me pondo à prova que testo meus eventuais graus de miopia!!

eis algumas das minhas afirmações no artigo:


"a tendência pós-moderna é o desacelerar da existência, o que denota a necessidade de ressignificação do tempo"

"Em seu sentido mais amplo, conceituo tendência como o espírito do tempo (assim como Dário Caldas), como algo que transcende a realidade instituída e se cristaliza em necessidades e desejos ressignificados pelas novas produções sociais.
Entendo tendência como o amálgama de micros desejos e necessidades consubstanciadas em um macro que se pulveriza nas mais diversas manifestações humanas.
Se na primeira definição tendência é tida como algo que se estabelece verticalmente, de cima para baixo, de poucos para muitos, na segunda temos uma horizontalidade includente que corresponde a desejos e necessidades materiais e metafísicas que emanam da própria atuação do homem sobre sua realidade. ".

eu disse, vale a pena!! (rssss)

segunda-feira, 9 de março de 2009

TENDÊNCIA: primeira reflexão

T E N D Ê N C I A
















T E N D Ê N C I A





TENDÊNCIA


TRENDS







TENDER À




TRENDS






T E N D Ê N C I A
TENDENCIOSA? NÃO, EU DIRIA.


Tenho pensado e escrito muito sobre o pós-modernidade porque realmente penso que estamos passando por um momento de reumanização e ressignificação que contempla vários aspectos de nossa existencia individual e social e isso muito me interessa. Moda, decoração, gastronomia, comportamento são a meu ver, áreas que nos ajudam a decodificar muito mais que apenas obviedades. Serei breve, mas o tema requer um artigo.

Hoje muito se fala na obsolescência da ditadura da Moda, a moda de rua invade a passarela e não o contrário. Hoje a roupa pode pode ser vista como uma produção simbólica particular e não mais coletiva. Através dela, explicitamos intenções, desejos, idéias, vulnerabilidades, mas também ocultamos nossa verdadeira identidade se assim o preferirmos, podemos confundir as interpretações se tivermos competência. De qualquer forma, o retorno ao velho, ao vintage, ao retrô a meu ver corresponde a um processo de releitura do vestuário muito instigante que sugere saudade inclusive de algo não vivido. A ausência de verdade, de intimidade, de cumplicidade, de aconchego parace amenizada com uma peça confeccionada por mãos, linhas e agulhas que deixam registros nunca percebidos no pret-a-porter. Roupa com história, com memória parece reumanizar o modelo, ressignificar o corpo, reascender a aura, é realmente interessante. Ao fast fashion, à moda efêmera contrapôe-se a slow fashion, a moda que requer tempo e sugere o perene, a desaceleração.

Quanto à nossos refúgios, nossas casas, vestigios de demolição, retorno de uma materialidade natural, misturas de estilos, de cores, de texturas desbancam a previsibilidade do vidro, do ferro, do aluminio, das combinações... as plantas não habitam apenas o jardim mas todos os cômodos, dão vida a artefatos com longas trajetórias .... móveis customizados, objetos de décadas denotando resquícios interessantes de momentos vividos em outros tempos... quanta saudade... nem sempre se sabe do que! é preciso ter idade para percebe-lo...

O retorno da gastronomia como prazer, como atividade social que reúne ao fogão e à mesa muitas mãos, o educar o paladar para os sabores mais simples denota um requinte antes ofuscado por menus quase indescritiveis em todos e por todos os sentidos .... o fazer, o processo, a alquimia do preparo, o degustar não mais para sanar apenas necessidades biológicas mas também algumas outras que poderiam ter as mais variadas definições.... fazer não apenas para comer me sugere a busca por necessidades que requerem alimentos metafísicos mas muito mais perceptíveis que quaisquer outros conhecidos...

Através da roupa, da decoração e da gastronomia parecemos clamar pelo retorno do que era velho mas, na verdade o que prevalece é a necessidade de cápsulas de humanidade, nem importa muito se industrializadas ou manipuladas, mas que sejam eficazes na cura da artificialidade que passou a imperar há algum tempo em nossas produções, nossas representações, nossas relações, nossa existência!

Que sejam feitas releituras, resgates e que consigamos nos reencontrar ao máximo com o que era velho e que agora, com nossa percepção mais aguçada, se revela eterno, atemporal.... nada mais moderno e atual que exaltarmos sentimentos, sensações, relacionamentos, relações, cumplicidades, fragilidades, inseguranças.... não ter que ser super heroi é realmente apaixonante.Não ter que ser super em quaisquer sentidos essa é, a meu ver, a tendencia dos próximos anos! E que não sejam poucos!